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A PEA (Perturbação do Espectro do Autismo) também vulgarmente denominada por Autismo é uma perturbação neuro-comportamental com origem no sistema nervoso central que afecta o desenvolvimento da criança. Afecta principalmente três áreas, a social, a comportamental e a comunicacional. Presume-se que na causa poderá estar uma componente genética mas tende a acreditar-se que outros factores têm também um papel determinante nomeadamente factores ambientais e/ou alterações pré-natais. A PEA é mais comum em rapazes numa proporção de 4:1.

Nos primeiros anos de vida alguns dos sinais de alerta prendem-se com dificuldade em expressar – se, dificuldades na interacção, preferindo muitas vezes brincar sozinho, dificuldades em lidar com alterações da rotina e a ausência de resposta quando é chamado, podendo confundir-se com “falta de atenção”.

O diagnóstico da PEA deve ser feito pelo pediatra que acompanha a criança através de observação direta e entrevista à família sempre tendo como base os critérios de diagnósticos previstos na DSM V – manual de diagnóstico de transtornos mentais.

O tratamento da PEA envolve intervenções psicoeducacionais, orientação da família e estimulação/desenvolvimento da linguagem e da comunicação. De entre os técnicos envolvidos nesta intervenção/tratamento poderão estar o Terapeuta da Fala, o Terapeuta Ocupacional, o Psicomotricista, o Psicólogo e o Técnico Superior de Educação Especial.

A prescrição de medicação é feita única e exclusivamente pelo médico, mas apenas em casos que os sintomas afectam o quotidiano. As crianças com PEA estão integradas no ensino regular embora possam beneficiar de adequações curriculares e terapias específicas no âmbito de um Centro de Recursos para a Inclusão (CRI) disponível em todos os agrupamentos de escolas. Estas crianças frequentam o ensino até aos 18 anos mas é a partir dos 16 que começa a surgir a necessidade de fazer uma transição para a vida ativa. Dessa forma é elaborado pela escola um PIT (Plano individual de trabalho). O objectivo do Pit é promover a inserção social e capacitar o aluno para o desempenho de uma actividade profissional que corresponda aos seus interesses e capacidades. Alguns alunos chegam mesmo a frequentar cursos de formação profissional e são integrados em emprego protegido. No caso dos alunos em que pelas elevadas dificuldades não consigam integrar a vida ativa serão encaminhados para um CAO (Centro de atividades ocupacionais) onde são proporcionadas atividades de cariz variado promovendo o bem estar e realização pessoal.

Todas as crianças com PEA são diferentes nas suas capacidades e dificuldades, daí que seja tão difícil o seu diagnóstico. Acima de tudo as crianças autistas não sentem nem experienciam o mundo como as demais daí que seja tão difícil relacionar-se com os outros. Muitas destas crianças conseguirão crescer e ter uma vida perfeitamente normal e com alguma autonomia.

Texto por Vânia Matias, Terapeuta Ocupacional.

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