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Um pedaço de paraíso em Amor

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Vitor Alegria (Foto: Sílvia Góis)

Existe uma pequena floresta tropical perdida na Brejieira. Numa estufa com pouco mais de 400 m2, cerca de 60 árvores (até 10 espécies diferentes) de frutos tropicais, crescem do sonho de um só homem.

Vitor Alegria (65 anos) nasceu em Sá da Bandeira, actual Lubango, em Angola, assim como os seus pais e avós. Durante 26 anos viveu em África, até se ter mudado para Portugal. Em 1982, estabeleceu-se em Amor.

Saudoso dos seus tempos de infância, plantou um pequena goiabeira no jardim, que estava sempre a cobrir com plástico, por causa do mau tempo e do frio. Com o crescimento da árvore, crescia a ideia da construção de uma estufa, algo que concretizou há 12 anos.

Perdidos entre a folhagem, o anfitrião falou-nos com orgulho de cada uma das suas árvores e do trabalho que tinha planeado para as próximas semanas.

Queixando-se da falta de espaço que as árvores iam tendo, encontrava-se em plena fase de poda, planeando seguir com a limpeza do solo (um punhado de galinhas ajudam nessa tarefa a eliminar minhocas e afins) e com a fertilização com um composto que o mesmo produzia – utilizando a fruta madura que caiu ao chão na última campanha!

Cada passo é planeado, e tudo é aproveitado, nunca utilizando produtos fitofarmacêuticos e tornando a produção 100% biológica.

A maior parte são pitangueiras e goiabeiras, mas é fácil descobrir pés de café, licheiras, annonas ou até araçás. Pelo meio, conhecemos pela primeira vez espécies como a feijoa-do-méxico, a “carriça”, a mirangola ou o “milagrinho”, uma árvore que apenas existe no Sul de Angola.

Vitor Alegria (Foto: Sílvia Góis)
Vitor Alegria (Foto: Sílvia Góis)

“Eu não consumo tudo o que produzo, no ultimo ano, em goiaba tive cerca de 600 Kg” conta-nos o anfitrião. Para compensar este hobbie caro de manter (o plástico para fazer uma muda completa da estufa custa 1500€, nunca se sabendo quanto tempo vai durar), o Sr. Alegria vende os seus excedentes a um preço apenas para cobrir os custos, bastante mais barato que em qualquer supermercado. “Se formos comprar estes produtos aos supermercados têm muito menos sabor, pois são apanhados verdes e enviados para a Europa. Aqui são apanhados maduros, no máximo do seu sabor”, assume, contando-nos o próximo passo que gostaria de dar: passeios para os alunos das escolas terem contacto com estas árvores e frutos exóticas!

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