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Grupo Desportivo Casal Novo. A História

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3 jovens e uma bola

1956, Sábado, Ramiro Passagem (16 anos) e Albino Éloi (15 anos), dirigem-se à casa de Eduardo Passagem (19 anos) levando consigo um bem precioso: uma bola de futebol!

Na cabeça dos primeiros, vinha já a ideia de organizarem “uma equipa” e não demorou muito para conseguirem convencer outros jovens locais a juntarem-se a eles.

Descalços, correndo atrás de uma bola (que só mais tarde foi uma oficial, de catechu), aproveitavam um terreno nu, onde tinham acabado de cortar um pinhal, para fazer os seus jogos. As balizas, eram erguidas com madeiras perdidas.

Começaram cedo as dificuldades para o grupo. Cada um comprou o seu equipamentos, pagos à custa do seu trabalho. As viagens para “jogar fora” eram feitas de bicicleta. O campo foi mudando, sob pedido dos donos, que exigiam os seus terrenos de volta. Até as balizas deram problemas! Um proprietário da Marinha Grande não gostou de ouvir que uns “rapazes” estavam a utilizar os seus terrenos para jogar à bola ao domingo à tarde, e fez queixa na GNR, acusando-os de roubo de madeira para construírem as balizas. Obrigados a defenderem-se das acusações, alguns membros tiveram de se apresentar nas instalações policiais, acabando o caso arquivado.

O grupo cresce, e juntam-se até elementos de fora do lugar, surgindo a necessidade de criar uma sede. Amadeu dos Santos cede um barracão (actual loja da Masiga), onde se instalam nos primeiros anos.

Primeiros estatutos oficiais da freguesia

A 20 de Março de 1967, Manuel Augusto, João Branco, Ramiro Passagem, Fernando Lameiro, Amadeu dos Santos e António Abreu, enviam para o Ministério da Educação os estatutos para serem reconhecidos pelo governo. A aprovação demora-se face à desconfiança da entidade em reconhecer uma associação tão próxima da Marinha Grande, local onde reinava a contestação ao Estado Novo. Passaram 3 anos, até Eduardo Passagem, sócio fundador, e o Padre Manuel Marques, tentarem desbloquear a situação. O extremo-esquerdo do clube conta que “chegou a ir 3 vezes a Lisboa na mesma semana para dar mais informações” que permitissem a tão desejada aprovação. A 7 de Abril de 1970, sai o édito que oficializa o Grupo Desportivo, primeira colectividade da freguesia a conseguir tal feito.

Tempos modernos

Por necessidade, o grupo vê-se obrigado a mudar de sede. Primeiro para um terreno cedido por Manuel Augusto, e por fim para o lugar actual, fruto da doação de parte do terreno pelo Eng. Pena. Seria aí, que ao longo dos anos o grupo iria crescer, até à construção (começada em 2006) da moderna sede.

Abarcando vários desportos ao longo dos anos (desde o tradicional chinquilho que ganhou recentemente um recinto próprio, ao tiro ao prato), o futebol, expoente da sua fundação, conhece em 2003 um fim anunciado. Os custos obrigatórios a ter com um clube federado a participar no Campeonato Distrital eram simplesmente demasiados para serem cobertos pela receita das quotas dos sócios.

Embora com exibições irregulares, foram surgindo ao longo dos anos expressões culturais. O maior expoente acabou por ser o Rancho Folclórico, com duas fases distintas: uma inicial impulsionada por Cândido Guerra, e uma posterior à oficialização do grupo a 6 de Maio de 1976. Durante décadas levaram as danças e os cantares a vários lugares do nosso país.

“A maior parte da população do Casal Novo tem participado e ajudado o clube” conta-nos Amadeu dos Santos, lembrando que era comum ceder as camionetas da sua empresa para ajudar nas deslocações do Rancho. “Cheguei a levar 64 pessoas na parte de trás de um dos meus veículos!”. A união e o convívio em volta deste projecto era personalizado por Joaquim Custódio, pai de Jaime Custódio (um dos maiores impulsionadores do Rancho Folclórico), que ainda hoje é lembrado por ter actuado até aos seus 90 anos!

Texto produzido com base em informações prestadas por Eduardo Passagem, Amadeu dos Santos e Jaime Custódio.

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