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APIFA: a história

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APIFA em construção (Foto: Fotolustre)

Desde tempos imemoriais que o papel da população mais idosa tem vindo a alterar-se. Se em algumas culturas, um idoso era visto como algo descartável e um empecilho para os mais novos, noutras, a sua experiência de vida e conhecimento eram venerados, tomando muita vez o papel de Ansiães, guardiões de memórias.

Na nossa sociedade atual, a população sénior ainda vive nesse parco equilíbrio, para uns a ajuda fundamental para criar e educar filhos e netos, para outros, a geração de pessoas que pouco ou nada lhes diz.

Independentemente do seu seio familiar, o número de idosos sozinhos tem vindo a crescer no nosso país, mas esta realidade foi detetada na nossa freguesia há 30 anos atrás.

Com a partida de muitos jovens para vários países da Europa em busca do seu ganha-pão, a década de 90 (tal como tinha acontecido nos anos 70), viu um aumento do número de idosos que, sozinhos, entre as suas paredes caiadas, apenas tinham as suas lembranças como companhia. O número de pessoas que entravam em depressão profunda e desistiam da vida assustou várias pessoas da nossa freguesia.

Com o apoio domiciliário fornecido pela Casa do Povo a dar os seus primeiros passos, um grupo de 10 elementos do Casal dos Claros e da Coucinheira reconheceu a necessidade que a freguesia tinha de possuir um lar, um local onde os mais velhos pudessem viver os seus últimos anos, de maneira confortável, mas também perto dos seus e rodeados de faces que tinham acompanhado durante toda a sua vida. O conceito reuniu um grupo de elementos que comungavam das mesmas ideias, dos mesmos receios, e que sentiam o desejo de trabalhar em prol da sociedade, criando o plano que ergueu a APIFA.

Dado início ao processo em maio, a 22 de dezembro de 1995, foi oficializada a Associação de Apoio a Idosos e Crianças Nossa Senhora de Fátima (APIFA), mas demoraria 3 anos (1998) para ser colocada a 1ª pedra do futuro edifício.

O terreno onde este se encontra atualmente instalado, fora doado pouco antes por Idalina Alves Ribeiro, natural da Coucinheira e residente em Lisboa.

Durante os anos seguintes, entre doações diretas e “cortejos”, foi-se recolhendo fundos para a construção. Os cortejos sem fazer “cortejo” eram particularmente populares. No local de construção, eram colocados vários andores e ofertas dos populares, seguindo-se um leilão. As pessoas doavam e compravam, muitas vezes com valores bastante acima do valor dos produtos comprados, para mostrar o seu apoio. Para além disso, não era estranha a oferta de materiais de construção ou a doação do próprio tempo para construir-se parte do edifício.

O número de associados cresceu até ter estabilizado nos 400, tendo diminuído nos últimos anos, devido ao falecimento de muitos dos sócios originais.

A construção do lar também conheceu inúmeros percalços. Construindo-se sempre que existiam verbas, as mudanças legislativas constantes obrigavam que o que fosse construído num ano, fosse modificado, alterado ou até derrubado no ano seguinte. O orçamento disparou, o desânimo começou a instalar-se, e alguns elementos foram afastando-se por motivos diversos.

Habituados a trabalhar e unirem-se para conseguirem as várias melhorias que a localidade conheceu durante décadas, foi assinado um protocolo com o Estado que injetou o último dinheiro necessário para a conclusão do edifício.

O lar abriu finalmente em 2011, inaugurado a 1 de março com a presença de Pedro Marques, Secretário de Estado da Segurança Social do XVIII Governo Constitucional e atual Ministro do Planeamento e das Infraestruturas.

Texto produzido com base em informações prestadas por Albino Santos.

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