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Recenseamento feminino porque sim

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Três senhoras. 87, 83 e 70 anos. Três localidades diferentes da nossa freguesia: Barradas, Barreiros e Toco.
Três vidas que nos ajudam a perceber melhor uma realidade que para os mais novos se torna cada vez mais distante. Uma altura em que o direito ao voto foi uma novidade para estas mulheres, que na prática se deu após o 25 de Abril de 1974.
As descrições feitas permitiram visualizar o acontecimento: o direito ao voto pela classe feminina é concedido e espalha-se a notícia.
De boca em boca, de terra em terra, algumas acorrem à junta para se recensearem. As razões são diversas – ou porque o marido estava envolvido politicamente “o meu marido disse para eu ir: tu vais votar, porque todos deviam votar”, ou porque toda a vizinhança foi, ou mesmo porque medo que de desobedecer ao governo era maior “as pessoas falaram não sei o quê, que a gente era obrigados a recensear-se”.
No entanto, o recenseamento era opcional. Prova disso, são as senhoras na nossa freguesia que nunca se recensearam. Porquê? As respostas são pouco conclusivas — “podia haver qualquer coisa, mas a gente estava aqui na nossa rua” — diz uma das entrevistadas, refletindo o espírito da época.
Qualquer julgamento exige primeiro um exercício de empatia com a época histórica referida, onde a consciência política não era permitida e no geral, qualquer liberdade de expressão era sinal de perigo.
Quando perguntado a estas três senhoras se os tempos de hoje são melhores, conseguimos ver alguma hesitação antes de concluírem que sim. Porquê? As coisas eram tão diferentes que acaba por ser complicado compará-las.
Estas histórias alertam-nos para importância de exercermos a nossa cidadania, de forma responsável e consciente. As autárquicas vêm aí!
Exerce a tua cidadania e sai à rua! Vota!

Cristiana Gonçalves

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