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#AmorPorAí – Francisco Caminho

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Francisco Caminho e o seu pai em Riga

Francisco Caminho, 19 anos, Casal dos Claros, vive e estuda em Riga, Letónia

Quando foste para a Letónia?

Eu fui para a Letónia dia 26 de agosto de 2017. Embora as minhas aulas só tenham começado dia 4 de setembro, fui mais cedo porque tínhamos uma semana de orientação para conhecer a universidade e a cidade.

Porque foste?

Desde pequeno que queria ser médico, mas cá as médias de entrada são super altas, então a minha opção foi apostar no estrangeiro, pois já dominava o inglês. Embora hajam sítios muito falados, como a República Checa ou Espanha, quis apostar num sítio diferente. Pesquisei onde poderia estudar medicina pela Europa e apareceu-me essa opção. Nunca tinha ouvido falar do país antes, mas pensei “Porque não? Vamos ter uma aventura!” e candidatei-me.

Como é sustentada uma viagem destas?

O meu suporte financeiro vem do meu pai e da minha família.

A vida lá em geral tem o mesmo custo que cá. Tirando os voos, que com sorte são 200€ ida e volta, ou a renda, que é 300€ por mês, o resto é muito parecido. A alimentação tem praticamente o mesmo custo. Há lá vários restaurantes, incluindo os de comida rápida e lojas de roupa como as do nosso shopping com tudo ao mesmo preço. Têm algumas lojas muito caras, porque é a capital, mas ao mesmo tempo também tem outras lojas muito baratas. Há por exemplo uma loja de roupa “vintage”, creio que em segunda mão, onde uma pessoa compra uma t-shirt por 5€ ou menos.

O que aconselhas a visitar ou fazer em termos culturais?

Riga não é uma cidade grande. Tem vários monumentos, mas conseguem vê-los todos num dia ou dois. Mas há dois sítios que recomendo bastante que vejam: o mercado central e a biblioteca nacional. O mercado central é composto por 5 pavilhões e várias bancas na rua. Cada pavilhão vende um tipo diferente de alimento – peixe, carne ou produtos lácteos, por exemplo, e as bancas exteriores têm fruta, roupa, calçado, etc. É dos maiores mercados da Europa. A biblioteca nacional é um labirinto. Tem vários andares, cada um com um tipo específico de literatura e várias salas com subcategorias! E no 8º andar temos uma vista espetacular do rio [Duína Ocidental] e da cidade. É um sítio espetacular para estudar.

Eu recomendo, se quiserem passar por lá, que vão no verão. Durante o inverno está sempre escuro e está muito frio, com tudo cheio de neve, então ninguém sai de casa. Mas no verão é o oposto. É quase sempre de dia, o tempo está sempre agradável, sem fazer demasiado calor, e os parques estão todos verdes. Eles aproveitam o verão ao máximo e fazem muitos festivais e eventos, o que torna o verão numa época animada.

 

Maiores diferenças e semelhanças em relação a Portugal?

A Letónia é super diferente de Portugal. Uma coisa que notei logo no início foi o silêncio deles. Na minha primeira semana em Riga, fui comer num restaurante e estava um silêncio que eu não esperava. Infelizmente nós portugueses temos o hábito de falar mais alto que o vizinho para nos ouvirmos, e acabamos com um sítio cheio de ruído. Eles falam baixo, e a meu ver é muito agradável, mas eu tenho que me conter bastante para não falar alto. Mas às vezes eles levam o silêncio muito a sério. Aconteceu-me estar num comboio com a minha turma a trocar piadas e a rir e a revisora pediu-nos para fazermos menos barulho porque tinham reclamado.

Os prédios deles também são muito diferentes. Têm cores mais secas e escuras. E eles dão muita prioridade aos interiores, para suportar o frio. Há muitos prédios que parecem velhos por fora, mas que estão todos remodelados por dentro.

Uma curiosidade que não achei muito engraçada é que eles não têm estores. No máximo têm umas cortinas que não tapam grande coisa. Durante o inverno não faz diferença. É quase sempre de noite, dorme-se bem. Mas tive que comprar uma venda para dormir no verão, porque às 5h da manhã já é de dia.

A comida deles também é muito diferente, para pior. A comida em si geralmente até é boa, mas os molhos estragam o prato. Depois de provar a comida portuguesa nada se compara, não é verdade?!

Existe ainda o hábito de deixar os sapatos à entrada. Se formos a casa de alguém, tanto seja para estudar, para passar o tempo ou para uma festa, deixamos sempre os sapatos à entrada.

Por último, o meu facto favorito: os bares são super limpos. As pessoas não deitam coisas para o chão e não é permitido fumar no interior. Mesmo quando estão uns gelados -25ºC, quem quer fumar é obrigado a vestir os casacos e ir à rua. É uma atitude que admiro completamente. Espero que Portugal faça o mesmo nos nossos bares, porque têm sempre muito fumo e isso não é justo para quem não fuma, como eu.

Os letões são…

Os letões são um povo muito mais sério. É raro encontrar alguém que troque um “Bom dia” connosco. E eles não têm o nosso hábito de sorrir aos clientes, chegando a ser rudes por vezes. Mas isto sobre os adultos. Os jovens são muito mais abertos e simpáticos e sabem inglês, o que é ótimo para fazer amigos.

Eles são quase todos loiros, muito branquinhos, de cabelo liso, olhos azuis e altos. Pode soar espetacular, mas torna-se normal passado um tempo. A verdade é que nós é que somos diferentes para eles. Falo por experiência, que os meus caracóis castanhos já fixaram muitos olhares.

Eles são muito patriotas. Este ano eles celebram o 100º ano de independência, e no dia da independência do ano passado eles fizeram uma celebração enorme. Bandeiras por todo o lado, multidões de gente. Foi muito bonito ver aquela união!

 

O pior e o melhor desta experiência?

O único lado mau de ir para lá, a meu ver, é deixar os meus amigos e família cá em Portugal. Há momentos em que as saudades são fortes.

Mas acho que ir para lá foi a melhor escolha que fiz até hoje. Tenho a minha independência, a universidade tem umas instalações fantásticas, a cidade é calminha, e o mais importante é que tenho amigos de todos os cantos do mundo, e eu aprendi muito deles. Os factos sobre os seus países, as culturas, as expressões… é mesmo uma experiência incrível. E acho que o melhor de tudo é mesmo partilhar essa experiência com outras pessoas. Todos nós vamos para lá por conta própria, e os nossos amigos são a nossa família. É mesmo uma experiência que recomendo bastante.

Uma palavra que aprendeste?

Sveiki! Mani sauc Francisco. Man ir deviņpadsmit gadi un es studēju Rīgā. (Olá! Eu chamo-me Francisco. Eu tenho 19 anos e eu estudo em Riga.)

Se quiserem dar umas voltas por lá, “Labrīt” é bom dia, “Labvakar” é boa tarde, “Sveiki” é olá e “Paldies” é obrigado!

O que é que mudou em ti?

Foi uma mudança muito grande. País novo, escola nova, amigos novos, casa nova, língua nova (visto que tive que começar a falar inglês diariamente). E depois a vida de universitário. Eu noto que isto tudo me amadoreceu, porque obrigou-me a dar um “salto”. Abriu-me os horizontes. E também me tornei mais confiante e seguro.

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