Início Editorial Porque chegámos tarde (e porque temos de mudar)

Porque chegámos tarde (e porque temos de mudar)

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A edição de fevereiro deste nosso jornal chegou a todos, assinantes, empresas apoiantes e locais de venda, com uma semana de atraso. Ao contrário de outras vezes, onde o motivo do atraso nos ultrapassava, este acabou por ser da nossa responsabilidade.
Desde a primeira edição, em 2016, que o jornal chegou à mão de quem o comprava a um preço inferior ao que ele custava imprimir e distribuir. Essa diferença era suportada pelas verbas arrecadadas com a publicidade.

Com a pandemia, sistematicamente apareceram atrasos no pagamento de parte das assinaturas e das publicidades. Isto obrigou-nos a “correr” atrás do prejuízo, pedindo às pessoas para quitarem as suas dívidas. Fazemos o papel de cobrador de dívidas, o que de todo não é algo que gostemos de fazer ou nos sentíamos confortáveis na pele.

A esse constante sufoco, veio adicionar-se, em fevereiro de 2022,mais um: a guerra.

Os preços dispararam em cada produto que compramos, em cada conta que recebemos.

O custo de impressão do nosso jornal não foi exceção. O custo do papel aumentou, do combustível, do plástico. Mês após mês o custo foi aumentando, aumentando. Ao longo de um ano, passaram a pedirmos quase mais 30% pelo mesmo serviço.
Perante as dificuldades económicas que as nossas empresas, os nossos apoiantes, passavam, vimo-nos impossibilitados de aumentar o preço das publicidades. E com isto, as nossas receitas estabilizaram, e deixamos de conseguir pagar por completo as dívidas que íamos acumulando. O somatório do que devíamos impossibilitou a impressão de mais uma edição, até conseguirmos pagar. Por isso, apenas uma semana depois recebemos a edição de fevereiro. Por isso, apenas uma semana depois a conseguimos distribuir.

A insustentabilidade da situação obriga-nos agora a algo que adiamos há 7 anos: aumentar o preço do jornal.

Infelizmente, à pergunta que tantas vezes nos fazem “ainda é o mesmo”, vamos ter de passar a ter uma diferente resposta. “Lamento, mas tivemos de aumentar o preço”.

É com tristeza que o assumimos, mesmo tendo consciência que os aumentos que nos foram impostos escapam completamente à nossa responsabilidade. Mesmo após procurar alternativas mais baratas para a impressão do jornal e nada descobrir. Mesmo sabendo que em 8 anos, nunca o tínhamos aumentado. Para manter este jornal, esta ideia mensalmente imprensa em papel, onde a história de toda uma freguesia se escreve, temos de aumentar o preço. Lamenta-mo-lo desde que a história do mundo nos obrigou a tal.

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