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Língua Gestual Portuguesa

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A língua gestual não é universal. Cada comunidade possui a sua e dentro de um mesmo país existem diferenças.

A expressão correta é Língua Gestual, e o nome do país, no nosso caso Língua Gestual Portuguesa (LGP), e nunca apenas linguagem gestual. Trata-se de uma língua que se desenvolve de forma natural, produzida com o movimento do corpo, das mãos e pelas expressões faciais. Possui um vocabulário e gramática própria.

Ao contrário do que muitos acreditam não é universal. Cada comunidade possui a sua e dentro de um mesmo país existem diferenças, tal como acontece com a língua oral, existem regionalismos e o grau de instrução e mesmo a atividade profissional podem fazer com que existam diferenças linguísticas.

É no século XVII, em Paris, que surge a primeira escola de surdos no mundo. Dá-se depois a dispersão de professores surdos, com o intuito de criar mais escolas semelhantes à que surgiu em Paris e assim a língua gestual chegou a outras partes do globo. Em Portugal, a primeira escola para surdos apareceu em 1823, na Casa Pia de Lisboa. O primeiro professor, Per Aron Borg, era sueco e implementou o alfabeto manual, pelo que existem semelhanças entre o alfabeto da LGP e o da Língua Gestual Sueca. Contudo, este alfabeto gestual, também designado alfabeto manual é pouco utilizado, uma vez que os surdos têm gestos para os diversos conceitos. Entre meados de 1880 a 1980 a língua gestual foi proibida, sendo que na escola as mãos eram amarradas. Esta proibição de uso de língua gestual nas escolas, em 1880, foi justificada pela convicção de que o uso da língua gestual prejudicava a aprendizagem da oralidade. Apesar da proibição, os surdos continuaram a comunicar através de língua gestual de forma clandestina.

Desde 1997 Portugal reconhece a Língua Gestual Portuguesa como oficial, tal como acontece com a Língua Portuguesa e o Mirandês. Até 1997 apenas 5 países em todo mundo tinham reconhecido a língua gestual como oficial nos seus países.

No nosso país a língua gestual é usada por cerca de 35 mil surdos. Em Leiria a escola de referência para o ensino bilingue (língua portuguesa e Língua Gestual Portuguesa) de alunos surdos é o Agrupamento de escolas D. Dinis. A aprendizagem bilingue auxilia na integração dos indivíduos.

Por último, é importante salientar que os surdos não são mudos, dizer que se trata de alguém surdo mudo é incorreto, a surdez e a mudez são duas deficiências distintas e poucos surdos são também mudos. Um surdo pode falar se for trabalhado com ele essa competência, através por exemplo, da terapia da fala. Estes podem optar por falar ou não, até porque a língua gestual inclui a emissão de alguns sons.

Não se esqueça um surdo não é invisual, consegue ler esta notícia e consegue entende-lo se falar diretamente para ele, por isso não há desculpa para não ser inclusivo.

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