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A festa

O ano era 1964 quando quatro amigos – Albino Duarte Santos, Guilherme Custódio Feliciano, Manuel Ferreira Alves e Albino Roleiro Ferreira Bom – fartos de sentir que a sua terra nada tinha e que era constantemente menosprezada perante os seus vizinhos Amor e Coucinheira, resolveram organizar uma festa. A idade deles, três já com 19 anos e um ainda com 18, apresentava-se como maior obstáculo. Convenceram então os pais e alguns elementos mais velhos a apoiar a ideia, mas a pressão destes é que a festa pagã, primeiramente imaginada, se tornasse numa festividade religiosa.
Apenas assim conseguiriam o apoio da restante população e das autoridades vigentes.
Embora o pároco da freguesia não apoiasse a ideia, após conversa com o Bispo da época, os jovens tiveram permissão para avançar e organizar, a 29 de agosto de 1964, uma festa em honra de Nossa Senhora, que se realizou em frente à Escola Básica do Casal dos Claros. Ainda hoje se encontra um nicho a marcar o lugar onde se encontrava o altar da missa campal.

A união de esforços

Nessa altura, já um grupo de rapazes do Casal dos Claros e da Coucinheira se juntava para jogar futebol em campos vazios, e inspirados para façanha dos quatro amigos, convidam-nos para juntos, tentarem organizar uma coletividade. Originalmente chamada de Juventude Operária Sport Unidos,
o nome cai, por parecer oposto aos ditames do Estado Novo, nascendo o Grupo Desportivo Unidos. Este nascimento não foi nem fácil, nem consensual. Ambas as terras queriam ser a sede do clube, ambas queriam ter o campo de futebol, ou melhor ainda, ter ambas o seu campo. As restrições económicas e políticas ditavam que apenas seria possível uma sede e um campo, e nascerá assim, em agosto de 1965, o primeiro campo de futebol – apelidado de “28 de agosto” – entre a Rua Central e a Rua da Capela, nos campos atrás do “Frescos e Co”. A sede instala-se numa loja, perto da Loja da Leonilde, cuja renda era paga com os donativos que recebiam. Os mesmos são também utilizados para comprar os primeiros equipamentos e financiar as viagens para os jogos nos quais a equipa participa. Manuel Pereira Duarte assume o cargo de primeiro presidente.

Tempos difíceis

A década de 70 começa da pior maneira, quando a festa desse ano não se realiza. Estando o arraial preparado com madeiras e caniços no campo de futebol, uma intempérie destrói tudo o que havia. Sem festa, não se recolhem proveitos e as dívidas acumulam-se.
Ao mesmo tempo, uma doença degenerativa destrói a saúde
do secretário do clube, que perdendo a razão, acaba por perder e destruir vária documentação da associação. Sem a renda paga, perde-se o campo,
que volta a ser utilizado para a agricultura, os mais velhos desanimam e os mais novos afastam-se para novos projetos.
Anos mais tarde, Joaquim Gaspar Dinis Pedro (único sobrevivente das anteriores direções), Adelino Esperança Pereira, Virgílio Rodrigues Grácio, Albino Duarte dos Santos, Feliciano Lopes Feliciano e Pedro Ribeiro Duarte Pedro resolvem tentar, e produzindo uma série de folhetos, distribuem por toda a terra, na tentativa de recuperar os sócios e refundar o clube. Seguindo o exemplo do recém-formalizado Grupo Desportivo do Casal Novo, seguem os seus estatutos, e pedem ao governo que oficialize a sua associação.
Pelo meio, a equipa de futebol vai saltando de pouso em pouso, chegando a jogar no campo de futebol de Amor, antes de se estabelecer no “Campo do Alegre”, terreno no meio de pinhais, perto da Rua dos Sobreiros.

O princípio da Era moderna

O novo fôlego do clube leva os seus responsáveis a desejarem dar fundações mais duradouras à associação, e a procura de terreno para a instalação de uma sede e de um campo de futebol começa imediatamente.
Na Coucinheira, uma série de pequenos e antigos edifícios, onde chegara a estar instalada uma escola no meio do século XX, já abandonados, figura-se como o local ideal para a edificação de uma sede. A negociação com os donos, inclusive com os herdeiros do Padre Lacerda, não é demorada, e em breve arrancam obras de melhoramento, que vão alterar, ao longo das décadas, completamente aquele local.
No meio dos pinhais, e perto do carreiro que seguia para a Marinha Grande, os terrenos mais baratos encontravam-se junto a uma lagoa, cuja profundidade chegava a atingir os 4 metros. Contactados os proprietários dos terrenos adjacentes, uns doam, outros vendem por valores simbólicos, e pouco tempo depois começa a transformação do terreno para a instalação de um campo de futebol. Apenas para aterrar a lagoa, chegam 98 camionetas carregadas de terra, prontas a nivelar o campo.
Ao longo dos tempos, é impossível negar o efeito aglutinador que a criação de uma associação teve. Alterando o seu nome logo a seguir ao 25 de abril de 1974, vertentes como o futebol de salão – chegando-se a construir um campo atrás da atual sede – o teatro – cuja força pós-25 de Abril era enorme e albergava sobre o nome Teatro Amador Unidos inúmeros participantes ou o rancho – que atuava pontualmente no Carnaval e em outros eventos, até desaparecer na década de 80 – acabam por perder vigor com o passar
das décadas, mas o Carnaval ganha energia ao associar-se à coletividade. Originalmente selvagem, sem corso, e partindo sempre do esforço ilimitado de certos membros como Mário Martinho, organiza-se mais tarde, e estando sob a alçada do clube, passa a dividir os seus esforços, pedindo aos membros que faziam 40 anos para organizarem as festas da recém-nascida Igreja, e aos jovens de 20 para organizarem o Carnaval do ano seguinte. O manter das tradições, acaba assim por se renovar ano após ano, alimentando gerações que se unem em torno de costumes e de um clube.

Texto produzido com base em entrevista a Albino Santos


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