A freguesia de Amor está a desenvolver um monumento de homenagem aos antigos combatentes da Guerra Colonial ligados à freguesia, num projeto promovido pelo executivo da Junta de Freguesia e atualmente em fase de construção no Largo Padre Margalhau, junto ao edifício da autarquia.
A iniciativa surge da convicção de que existia uma lacuna memorial na freguesia relativamente a um conflito que marcou profundamente várias gerações locais.
Praticamente todos os homens amorenses de determinada geração passaram pela Guerra Colonial, deixando impactos diretos não apenas nas suas vidas, mas também nas respetivas famílias e na comunidade.
O monumento pretende homenagear os combatentes naturais da freguesia de Amor ou que aqui residiam à data da mobilização militar, independentemente de terem escolhido ou não participar voluntariamente no conflito.
De acordo com dados informais transmitidos por serviços militares, terão passado pela guerra cerca de 210 militares ligados à freguesia, aos quais se somam ainda cerca de uma dezena de elementos da Marinha e meia dúzia da Força Aérea.
A intenção do projeto foi previamente discutida com o Núcleo de Leiria da Liga dos Combatentes, tendo a Junta de Freguesia lançado posteriormente um apelo público para recolha dos nomes dos ex-combatentes. Segundo os responsáveis, centenas de pessoas colaboraram no processo de identificação.
Dificuldades em validar todos os nomes
Apesar disso, a construção do memorial enfrenta algumas dificuldades relacionadas precisamente com a elaboração da listagem final de nomes.
A proteção de dados impede o acesso direto da Junta às bases oficiais dos serviços militares, obrigando a um processo de recolha comunitária. Ao mesmo tempo, a listagem já ultrapassou os números inicialmente indicados informalmente, existindo dúvidas relacionadas com alcunhas, duplicação de nomes, antigos residentes que entretanto deixaram a freguesia e casos de militares que estiveram em teatros de guerra mas que não possuem estatuto formal de combatente.
Segundo a Junta, o objetivo é garantir que ninguém seja injustamente excluído da homenagem.
O projeto representa um investimento próximo dos cinco mil euros, integralmente financiado através de apoio de capital atribuído pela Câmara Municipal de Leiria. A autoria é de Levi Redondo Bolacha.
A construção iniciou-se no final de 2025 e a conclusão estava inicialmente prevista para a primeira metade do ano, embora o processo de validação dos nomes esteja a atrasar a fase final da intervenção.
Como e onde está a ser construído?
O monumento será instalado no Largo Padre Margalhau, no centro da freguesia, numa localização escolhida para reforçar a ligação simbólica ao edifício da Junta de Freguesia e ao futuro projeto de requalificação urbana previsto para aquele espaço.
Segundo o autor do projeto, a intenção foi criar um memorial integrado na identidade arquitetónica e social da freguesia, evitando soluções consideradas excessivamente monumentais ou desligadas da realidade local.
“Amor é uma terra de gente humilde e trabalhadora, não fazia sentido criar algo exuberante ou deslocado da natureza das pessoas que aqui nasceram e viveram”, refere.
O monumento será construído com materiais simples e duradouros, como aço e betão, escolhidos tanto pela resistência como pelo valor simbólico associado a uma freguesia de origem rural.
Um dos elementos centrais da obra será a figura de um combatente com 1,80 metros de altura, dimensão escolhida propositadamente para representar a altura média de um homem contemporâneo e permitir uma identificação direta da população com a escultura.

“A ideia é que qualquer pessoa olhe para aquele combatente e perceba que poderia ter sido ela própria chamada para a guerra, tal como aconteceu aos seus pais e avós.”
O projeto inclui ainda um sistema de iluminação noturna que projetará a sombra do combatente no edifício do centro de saúde, atingindo cerca de 2,5 metros de altura.
Segundo o autor, a intenção passa por simbolizar “o peso que aqueles homens carregaram e a marca que deixaram na sociedade amorense, muitas vezes só percebida anos mais tarde”.

Os nomes dos combatentes serão gravados no memorial, embora ainda esteja a ser avaliada a solução técnica mais adequada para permitir futuras correções ou adições.
A iniciativa não recolheu oposição organizada, embora alguns antigos combatentes tenham optado por não integrar a listagem pública e existam opiniões divergentes relativamente à localização e ao desenho do monumento.
Ainda assim, vários ex-combatentes manifestaram apoio à criação do memorial, considerando que uma homenagem deste tipo “já deveria ter acontecido há muitos anos”.
E para além disto?
Para além da componente física, a Junta de Freguesia pretende que o projeto funcione como ponto de partida para um trabalho mais amplo de preservação da memória local da Guerra Colonial.
Atualmente desconhece-se o número exato de antigos combatentes ainda vivos na freguesia, sendo precisamente um dos objetivos indiretos deste processo ajudar a identificar e aproximar essa geração da comunidade.
Segundo os promotores, nunca foi realizado qualquer trabalho estruturado de recolha de testemunhos ou vivências dos combatentes amorenses, esperando-se agora que o monumento possa servir de catalisador para esse esforço de memória oral.
O objetivo passa por recolher relatos, documentos e experiências pessoais para integração no Arquivo d’Amor e eventual publicação futura em livro, num trabalho que deverá ser desenvolvido em articulação com os responsáveis do jornal “Amor Mais” e da Biblioteca d’Amor.
Paralelamente, existe também a intenção de desenvolver no futuro uma homenagem dedicada aos combatentes locais da Primeira Guerra Mundial, embora essa possibilidade permaneça ainda numa fase inicial de estudo e recolha histórica.


![2ª Resistência “Festival d’Amor 2017” [Promo]](https://jornal.amormais.pt/wp-content/uploads/2017/03/resistencia-180x135.jpg)












