Início Entrevista Sandra Ferreira. A rádio, aquele mundo de ondas que ninguém vê.

Sandra Ferreira. A rádio, aquele mundo de ondas que ninguém vê.

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Para muitos de nós, a rádio apenas serve para nos acompanhar nas viagens de carro, quando perdidos no trânsito. Habituamo-nos a reconhecer as vozes da rádio, a considerar que muitas vezes aqueles profissionais estão ali, perto de nós. Na nossa freguesia, a rádio ainda acompanha os que trabalham no campo, em fábricas, os que durante o seu dia, atarrefados nos seus afazeres, se ligam ao mundo através daqueles misteriosas ondas que ninguém vê.

Para celebrar o Dia Mundial da Rádio (13 de fevereiro), fomos conversar com Sandra Ferreira, 44 anos, nascida e criada em Amor, e que atualmente dirige o programa “No Regresso a Casa “ de segunda a sexta-feira entre as 17h00 e as 20h00 na M80 (frequência 93.0 MHz).

Bom dia Sandra, podes começar por nos falar um pouco sobre a tua formação académica.

Entrei em dois cursos da faculdade mas ainda não terminei nenhum. Pelo meio fui fazendo formação nas áreas do jornalismo, produção de conteúdos, voz, locução e dobragem em escolas profissionais, como por exemplo o Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas em Lisboa ou na UAL – Universidade Autónoma de Lisboa.

Como foi mudar do “campo para a cidade”?

Fui muito bem recebida na Média Capital Rádios e já tinha amigos em Lisboa que facilitaram a integração. Lisboa não é assim tão grande, acreditem. É claro que houve um tempo de adaptação, especialmente à quantidade de opções culturais como concertos, teatros e cinemas, lembro-me que no início ia quase todos os dias ao cinema e a todos os concertos que podia… Depois passei a ser mais selectiva.

Como começou a tua ligação à rádio?

Sempre gostei de ouvir rádio, com 10 anos recebi um rádio gravador e a partir daí passava muitas horas a imitar outros locutores. Aos 15 convidaram-me para fazer um programa numa Rádio, mas era tudo uma brincadeira, estávamos no tempo das rádios pirata. Depois da legalização das rádios passei pela Rádio Clube Marinhense e pela Rádio 94 Fm de Leiria sempre em Part-Time, até que me propuseram ir fazer uma rádio Rock na Média Capital Rádios em Lisboa, aí sim, era um trabalho a tempo inteiro e não pensei duas vezes… Sempre fui apaixonada por rádio e queria muito aprender mais e responder a novos desafios. Era perfeito. Estou na Média Capital há 14 anos. Fiz Rádio Comercial, Best Rock e agora M80.

Trabalhavas exclusivamente na rádio?

Para além da rádio, ajudava nos negócios da família e durante vários anos também trabalhei no Jornal de Leiria.

Sendo assim, porque estações de rádios já passaste?

Trabalhei na Rádio Clube Marinhense, 94 Fm Leiria, Best Rock Fm , Rádio Comercial e M80.

O que mais gostas na tua profissão?

É difícil responder… é um conjunto de factores. Quem já experimentou fazer rádio conhece o efeito “bichinho da rádio”, é aquele nervoso que se sente quando ligamos o microfone e falamos para uma data de gente, podem ser milhares e no entanto estamos ali a falar sozinhos. Depois há o ambiente de trabalho mais descontraído, todos os dias são um novo desafio, há entrevistas com gente famosa, às vezes artistas que nos dizem muito, há o trabalho de produção, a pesquisa, a escrita de conteúdos.

Já tiveste horários que se destacavam das rotinas “normais” (nocturnos ou de madrugada)?

Quando estava na Rádio Comercial fazia as manhãs de fim-de-semana e tinha de acordar ás 5.30 da manhã aos sábados e domingos, que era mais ou menos à hora que o pessoal se deita no fim-de-semana. Como não tinha a rotina de acordar cedo andava a compensar no resto da semana.

Como é conjugar esse tipo de horário com os horários “normais”, das pessoas que te rodeiam (filhos, amigos, etc.)?

Nessa altura não tinha filhos, era fácil! Neste momento, estou a fazer o Regresso a Casa na M80 e chego a casa às 9h da noite, não tenho muito tempo com eles, não posso fazer coisas simples como ir buscá-los à escola e dar-lhes banho, brincar com eles ao fim da tarde, dar-lhes o jantar… é um preço alto a pagar. Tenho a noção que não posso fazer isto muito mais tempo, o meu filho mais velho vai para a primária este ano.

Amor (freguesia) tem uma população que ainda ouve bastante rádio, no carro, nos transportes públicos, nas pequenas lojas, em algumas casas, sentes que és ouvida pela freguesia que te viu nascer?

Sim.

Como é voltar à terra? És reconhecida?

De vez em quando recebo emails e mensagens dos meus conterrâneos. Quando estou na aldeia há sempre alguém que me fala da rádio, sou bem recebida e sinto-me acarinhada, mas sempre foi assim… as gentes de Amor são afáveis, somos como uma grande família, toda a gente se conhece. Dantes não gostava disso, agora adoro! Adoro a minha aldeia!

A tua aldeia, inspira-te?

Sim, de certa forma. Temos a sorte de pertencer a uma aldeia com um enorme potencial, para começar tem este nome especial, que fiz questão de tornar ainda mais conhecido. A aldeia é simples, mas tem uma história bonita e um homem que por acaso era o meu avô que a escreveu. Temos uma Igreja linda, temos fontes, temos verde, temos gente boa, empreendedora e empenhada, moderna. Sinto que pertenço a um lugar especial!

Este ano vai realizar-se o Festival d’Amor, que decorre de 2 em 2 anos desde 2009. Qual seria o artista que gostavas de ver actuar cá?

Bem, isso é mesmo muito difícil de responder, há tantos nomes, mas acho que o António Zambujo seria uma boa aposta, porque o tema das suas canções é sempre o amor, porque é consensual, enche salas por todo o lado e tenho a certeza que ia gostar de cantar num festival numa aldeia chamada Amor.

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