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AUTÁRQUICAS 2025 | 36 anos de eleições em Amor: como votámos de 1989

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Desde 1989 que os resultados eleitorais da Freguesia de Amor estão disponíveis publicamente no sítio “web” da Comissão Nacional de Eleições. Ao longo de nove eleições autárquicas e 36 anos de história, os dados mostram não só as forças políticas em disputa, mas também mudanças de ciclos, padrões de votação e níveis de participação cívica.

Esse ano — 1989 — marcou também uma viragem: foi a primeira eleição desde 1976 em que o CDS-PP deixou de liderar a freguesia, com o PSD a conquistar a presidência da Junta de Freguesia de Amor. Até então, o CDS-PP dominava a política local desde o início do regime democrático. Essa eleição é também marcada pela primeira aliança. PSD elegera 4 mandatos, o CDS-PP 3 e o PS 2. Sem maioria, o PSD teria de fazer uma aliança para conseguir aprovar o seu executivo, e escolheu fazê-lo com o Partido Socialista. Resultado: a Junta de Freguesia teve pela primeira vez um elemento socialista nos seus elementos e a sua primeira mulher – Júlia Caçador.

Anos 1989 a 1997: o ciclo PSD

Entre 1989 e 1997, o PSD venceu sucessivamente as eleições na freguesia. Em 1989, obteve 532 votos, à frente do PS (386) e do CDS-PP (488). A taxa de participação foi de cerca de 49%. Mais uma vez, foi necessário a criação de uma aliança para se governar, com o Partido Social-Democrata a escolher o CDS-PP, uma escolha que irá repetir nos vinte anos seguintes.

Nos anos seguintes, a força do PSD consolidou-se: em 1993 e 1997, obteve mais de 800 votos em cada eleição, mantendo sempre a maioria de mandatos. O PS e o CDS-PP alternaram nas posições seguintes, mas sem capacidade para formar executivo.

Anos 2001 a 2009: entrada do movimento CI e viragem socialista

Nas eleições de 2001, surge pela primeira vez uma candidatura independente — o movimento Cidadãos Independentes liderado por Manuel Felismino Gaspar — que conseguiu eleger um mandato (301 votos). Nesse ano, o PSD manteve-se na frente com 722 votos, seguido do PS com 594. Foi também a segunda vez que houve cinco opções no boletim de voto, em vez dos habituais quatro partidos.

Contudo, em 2005, o PS deu um salto significativo, ultrapassando todas as outras listas com 842 votos (quatro mandatos), iniciando um novo ciclo de liderança. Essa tendência confirmou-se em 2009, com o PS a aumentar para 1111 votos, enquanto o PSD e o CDS-PP ficavam abaixo.

Anos 2013 a 2017: equilíbrio e alternância

Em 2013, os resultados foram muito equilibrados: o PSD venceu com 811 votos, contra 751 do PS. Ambos ficaram com quatro mandatos, sendo o nono atribuído ao CDS-PP. Foi preciso nova aliança para obter a governação, com o PSD a escolher o CDS-PP como parceiro.

Já em 2017, a coligação PSD+MPT recuperou terreno, mas o PS voltou a vencer com 920 votos (41,8%), assegurando quatro mandatos. Esta foi uma eleição particularmente competitiva, com apenas 66 votos de diferença entre PS e PSD+MPT.

2021: reforço socialista

Nas eleições mais recentes, em 2021, o PS reforçou a sua liderança, conquistando 1072 votos e elegendo cinco mandatos — maioria absoluta. O PSD ficou-se pelos 796 votos, e as restantes listas não conseguiram eleger. O CDS-PP, partido histórico com forte presença na freguesia praticamente desapareceu, escolhendo avançar com uma lista composta por elementos naturais de fora da freguesia. Simultaneamente, os elementos que habitualmente ocupavam as suas listas “migraram” para o PSD.

A participação manteve-se semelhante à dos anos anteriores, com cerca de 54% de votantes, mas a fragmentação do voto à direita e o desgaste de anteriores ciclos políticos contribuíram para uma vitória clara dos socialistas.

Evolução da abstenção

A taxa de abstenção em Amor tem oscilado entre 41% e 51% ao longo dos anos, com ligeiras variações consoante o contexto político ou as listas concorrentes. A participação mais baixa ocorreu em 1989 e 1997 (cerca de 48–49%), enquanto a mais alta foi em 2009 e 2021 (próximas de 59%).

O que dizem estes números?

Esta memória eleitoral mostra como a freguesia alternou entre ciclos de liderança PSD e PS, com a influência do CDS-PP a diminuir progressivamente e com um movimento independente a surgir pontualmente.

Apesar de muitos eleitores manterem fidelidade partidária, é evidente que a votação em Amor responde ao contexto nacional, à qualidade das listas locais e ao trabalho realizado pelos executivos.

A memória eleitoral não é apenas estatística: é também espelho das prioridades e das mudanças de quem vive e vota na freguesia. Em 2025, a história continuará a escrever-se — e o seu voto será parte dela.

Saiba mais em: autarquicas2025.amormais.pt

Variação dos resultados eleitorais desde 1976 até 2021
Distribuição de mandatos na Assembleia de Freguesia de Amor (1976-2021)
Variação da Taxa de Abstenção nas Eleições Autárquicas (1989-2021)

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